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Quais são os fatores que influenciam o valor de um documento autógrafo ?

O que é um autógrafo ?

A palavra « autógrafo » é mal compreendida pelo público brasileiro, pois para a maioria das pessoas, é sinônimo exato de assinatura (de um jogador de futebol, de um músico, de um ator de novela, etc.), quando na realidade qualquer papel com a letra de uma pessoa é seu autógrafo, com ou sem assinatura. Neste sentido, « autógrafo » é também um adjetivo : um bilhete, um desenho ou uma partitura musical são todos documentos autógrafos, porque são feitos inteiramente da mão do autor, seja com uma caneta, um lápis ou um pincel.

Na verdade, o que menos interessa ao colecionador de documentos autógrafos são as simples assinaturas (exceto algumas exceções), que trazem pouca informação, além do fato de que o autor é alfabetizado e sabe escrever seu nome. Os autógrafos mais interessantes são, às vezes, aqueles que não são formalmente assinados : notas de um compositor famoso, um rascunho de um grande escritor, o esboço de um artista genial, toda esta documentação privada, que não era destinada a ser divulgada, quase nunca têm assinatura, mas revela a personalidade ou a vida dela, além de suas inspirações, forma de pensar e de criar. Este conteúdo, insignificante para o leigo, marcante para o especialista ou o historiador, é muito mais valioso do que muitos documentos assinados pelos mesmos personagens, mas de conteúdo banal. O que realmente estimula o colecionador de autógrafos é a busca por cartas e documentos com conteúdo importante ou curioso.

É esta busca permanente, extremamente consumidora de tempo e energia, que evoca modestamente a coleção Glórias : procuramos peças raras, raríssimas ou extraordinárias, no Brasil ou no exterior. Tais autógrafos de qualidade são difíceis de achar : são mantidos em instituições públicas ou em coleções privadas, por vezes em baús e armários velhos, fechados há anos… Mas uma mudança de endereço ou o falecimento do proprietário eventualmente revelam as vezes tesouros e enriquecem as vendas, tornando acessíveis aos colecionadores individuais !

Fatores objetivos valorizam um autógrafo

Muitos fatores contribuem para o valor de um autógrafo : entre eles a qualidade do conteúdo, o estado de conservação, a procedência, a procura do público pelo autor ou pela temática e o “estoque” disponível no mercado são os fatores mais importantes. Mas existem muitos outros detalhes que podem aumentar ou diminuir significativamente o valor de um documento autógrafo.

Este conjunto de critérios é analisado por pessoas que se tornaram especialistas ao longo de anos de prática, como colecionadores ou marchands. Não existe formação acadêmica para esta disciplina. É preciso rigor e curiosidade para adquirir um amplo conhecimento técnico e histórico. Avaliamos, compramos, vendemos e trocamos peças, erramos às vezes também, analisamos catálogos e observamos o mercado nacional e internacional. Tudo isso faz parte da aprendizagem que – pela grande variedade das personagens interessantes e temáticas – é permanente.

Então basta analisar estes critérios para avaliar um documento autógrafo ?

Não, porque mesmo que estes critérios sejam fundamentais, existe também o lado “emocional” do colecionador. Como a obra de um pintor, um documento autógrafo é único, o que explica o entusiasmo e os valores por vezes alcançados em vendas públicas espetaculares, amplamente comentadas pelas casas de leilões e as mídias.

O que justifica que um quadro de Gauguin seja vendido a 300 milhões de dólares ou que uma carta de Abraham Lincoln seja cedida por mais de um milhão, em leilões internacionais ? Evidentemente a qualidade artística, o conteúdo e o perfeito estado de conservação são determinantes. Mas deve-se levar em conta também a determinação do colecionador ao competir com outro(s) e desejando, a qualquer preço, uma peça para sua coleção. Certamente tem algo de irracional nisto, não podemos subestimar o ego e a ambição dos colecionadores.

E os sentimentos do vendedor ? É também algo muito interessante de se analisar. Os documentos autógrafos de qualidade são adquiridos no mercado secundário em leilões, de outros colecionadores, de lojas especializadas (chamadas de marchands), mas também de herdeiros ou pessoas relacionadas a personalidades célebres. Neste mercado primário existe também o fator “emocional” do proprietário. Resignado a vender algo recebido do famoso e admirado parente, marido ou amigo, pode pedir um valor “fora do mercado”, sem ter conhecimento dos critérios objetivos que avaliamos normalmente.

Critério 1 | A procura do mercado por uma personagem ou uma temática

A procura vária muito de um país para outro, até mesmo de uma região para outra. Por exemplo, documentos autógrafos da Família Imperial brasileira são bastante colecionados pelos brasileiros, mas não têm procura na Europa ou nos Estados Unidos. De forma geral, o colecionador é “nacionalista” : caricaturando, um francês vai procurar cartas de Zola ou De Gaulle, um americano vai desejar possuir uma peça assinada pelos irmãos Wright ou de John F. Kennedy e um brasileiro vai admirar Alberto Santos Dumont, Ayrton Senna ou Carlos Drummond de Andrade.

Além dos critérios geográficos, os gostos e interesses evoluem também com o tempo e a sociedade. Tradicionalmente, os reis ou presidentes chamaram sempre a atenção dos colecionadores, mas podemos imaginar que no futuro textos escritos por grandes empresários da internet, ou lideres ambientalistas sejam também muito cobiçados por uma geração de novos colecionadores que cresceu neste mundo de alta tecnologia e de consumo consciente. Estas tendências são difíceis de prever e não podem ser confundidas com modas que acompanham a intensa midiatização de eventos, livros, documentários ou filmes: estas modas são temporárias. Por exemplo, quando o filme sobre a vida do ativista Malcolm X, do diretor Spike Lee, foi lançado 1992, a procura e as cotações dos documentos autógrafos do líder negro aumentaram de forma espetacular ;  alguns meses depois, o mercado voltou ao normal.

Em contrapartida, os grandes compositores, pintores, escritores ou cientistas – com fama internacional estabilizada – são sempre muito procurados. Uma vez falecidos, a oferta normalmente se estabiliza, o que determina uma alta constante dos preços ao longo dos anos : Mozart, Picasso, Tolkien ou Einstein pertencem a esta categoria.

Vale lembrar que mesmo para uma mesma pessoa famosa ou temática popular, a procura varia também em função da data ou do local de redação de um documento autógrafo. Alguns momentos da vida de uma personalidade são – de um ponto de vista histórico ou biográfico – mais importantes e interessantes do que outros.

De forma geral, a lei da oferta e da procura é favorável ao mercado dos autógrafos : tem cada vez mais procura e menos peças disponíveis no mercado, principalmente porque o uso de caneta e papel tende a ser menos comum.

Critério 2 | O número de peças disponíveis para compra no mercado

Os motivos pelos quais se tornam raros os autógrafos de determinado personagem são os mais variados.

Em regra geral tendem a ser menos comuns os documentos mais antigos, que tiveram que enfrentar vários séculos para chegar até nós. Por exemplo, não se encontra mais documentos do século XVI relativos ao descobrimento do Brasil.

A duração da vida da personalidade também influi decisivamente na raridade de seus autógrafos e correspondências. O arquiteto Oscar Niemeyer, que morreu aos 105 anos teve, certamente, uma intensa correspondência pessoal e profissional.

Mesmo que tenha vivido uma longa vida e tenha escrito muito, um autor (ou seus herdeiros) pode ter doado a maior parte de seus papéis para uma biblioteca, um museu ou uma universidade, criando naturalmente uma escassez de seus documentos autógrafos no mercado. É errada a crença popular de que quando uma pessoa famosa vem a falecer, sua produção escrita valoriza-se ou torna-se mais rara, teoricamente porque esta pessoa não pode mais escrever. Na verdade, acontece exatamente o contrário. Amigos ou familiares que conservaram as cartas, que tinham medo de ofender o autor ao vendê-las, desfazem-se de suas correspondências após sua morte. Alguns documentos ficam também “perdidos” ou esquecidos em baús e, um dia, reaparecem por ocasião de uma mudança ou reforma de uma casa, podendo ressurgir alguns meses depois no mercado e influenciar as cotações.

Infelizmente, catástrofes naturais ou incêndios, como o que atingiu recentemente parte do acervo de uma grande biblioteca na Rússia, como os de grupos religiosos extremistas, no Oriente Médio, ou o simples descaso dos descendentes, indisponibilizam também – e definitivamente – papéis ou arquivos de grande importância.

Finalmente, existem alguns artistas cujas cartas são realmente raras, como Van Gogh ou Bach e, certamente, qualquer documento de um dos antigos mestres são extremamente difíceis de encontrar.

Critério 3 | A qualidade do conteúdo

O conteúdo é o fator que determina fundamentalmente o interesse de uma peça manuscrita. Assim, a carta de um simples soldado, contando sobre a batalha de Waterloo, vale muito mais que uma carta de Napoleão de conteúdo banal. A grande maioria das cartas e documentos trata de assuntos irrelevantes ou de rotina, mas ocasionalmente surgem autógrafos cujo texto é altamente significativo para a história ou para a biografia de seus autores – e são estes os mais procurados.

A maioria dos colecionadores procura cartas inéditas em que o escritor descreve um evento que está intimamente associado com a fama do autor. Consequentemente, as cartas de Napoleão sobre a preparação para a batalha, de Mozart sobre a composição de uma ópera, de Einstein ao discutir a relatividade ou de Hemingway sobre a escrita, são muito procuradas.

Mas uma carta pode ser também interessante quando uma personagem histórica narra ideias, opiniões, sentimentos, paixões, ambições, esperanças, tristezas, alegrias, amor, traços de humor, etc., que revelam sua personalidade. Por exemplo, uma carta de Pelé escrita por ele, quando Ministro dos Esportes, durante uma viagem internacional.

Quando o autor de um documento autógrafo, o destinatário e/ou um terceiro mencionado no texto são notáveis, um autógrafo pode tornar-se bem mais interessante. É o que os americanos chamam de “associação”.

Ao final, é o julgamento da importância ou o sabor deste conteúdo que diferencia os colecionadores, esta capacidade de identificar uma informação interessante negligenciada por outros, por descuido ou ignorância.

Critério 4 | O estado de conservação

Durante muitos anos e diferentemente da maioria das coleções, a condição era provavelmente a questão menos importante ao comprar ou precificar autógrafos. Uma excelente carta de conteúdo escrita por Jefferson era apenas um pouco menos valiosa se ela não estivesse em boas condições. Por outro lado, o preço de uma carta de J. Edgar Hoover teria um valor baixo, mesmo que estivesse em bom estado.

Fotografias e livros assinados precisam estar na melhor condição possível, porque são dois mercados oferecendo múltiplos objetos idênticos que se diferenciam pela aparência. Mas, nos últimos anos, o nível de exigência dos colecionadores de autógrafos aumentou também. Um documento com um conteúdo interessante, mas apresentando imperfeições, pode ser muito desvalorizado.

Um papel fragilizado, dobrado, rasgado, manchado (sujeira, umidade), amarelado pelo tempo, com a tinta descolorida, com buracos de insetos, ou outras imperfeições, especialmente se o texto e a leitura forem afetados, são características que desvalorizam um documento na maioria dos casos.

Porém, como para o conteúdo, o colecionador não pode ser exigente com documentos históricos extremamente raros e preciosos. Existem também possibilidades de restauração que podem (mas nem sempre) melhorar o estado do documento.

Critério 5 | Umas outras características favoráveis

Outros elementos podem valorizar um documento autógrafo.

Cartas manuscritas são mais cotadas do que cartas datilografadas, exceto quando contém anotações ou entregam uma informação importante.

– Se o seu texto cabe em uma página ou em duas páginas separadas, torna-se mais fácil de expor e então é mais procurado.

– Se a assinatura é legível e completa.

– Detalhes decorativos ou estéticos podem agregar valor : uma bela caligrafia, um papel de grande qualidade, um carimbo, um cabeçalho, um filigranne ou um pequeno desenho por exemplo, como este « coração » desenhado nesta carta de Muhammad Ali.

Critério 6 | Uma procedência prestigiosa

Se alguém pode provar que um documento veio da coleção de uma pessoa famosa ou foi usado como um fac-símile de um livro de referência bem conhecido, então ele pode ser de algum valor financeiro adicional. Malcolm Forbes, Stephen Sweig e Johannes Brahms eram todos os colecionadores de autógrafos e qualquer coisa proveniente de suas coleções com certeza acrescentaria.

São também apreciadas fotografias, recortes de jornal ou cartas explicativas de antigos donos, enfim, documentos secundários que acrescentam informações adicionais ao documento principal, como a carta explicativa que acompanha esta dedicatória de Blaise Cendrars.

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Escrito por

Mathias Meyer tem 41 anos, é colecionador e fundador da coleção Glórias, especialista em avaliação, compra e venda de documentos raros.