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Esboço de painéis da famosa igreja São Jorge, no Rio de Janeiro.

Desenhos e anotações de Eugênio de Proença Sigaud. Uma página. Em português. 26.5 cm x 32.5 cm exterior, 21.5 cm x 23.4 cm interior. Sem informação sobre a localização, 1944. Colado e protegido por um filme, excelente estado. R$ 750.

     Apóstolos
Anjo – São Lucas
Touro – São Matheus
Águia – São João Evangelista
Leão – São Marcos

     Profetas
Isaías
Geremias
Ezequiel
Daniel

1° = [Esteiras] para dois painéis que hei de pintar
na Igreja de São Jorge, pintei sobre ferro as tapeçarias
na frente dos painéis assim farão veneração ao São  Maurício [do líder]

Pintor, gravador, artista gráfico, ilustrador, cenógrafo, crítico, professor, arquiteto e poeta… o mineiro Eugênio de Proença Sigaud (1899 – 1979) é conhecido como o pintor dos operários, explorando em suas telas e pinturas murais, de forma intensa e militante, uma temática claramente social. Representava o trabalhador em seu contexto produtivo, em meio às construções com estruturas de ferro, concreto, andaimes, típicas dos canteiros de obra, mas também na rua, em meio ao tráfego, nas usinas, ferrovias, pontes, estaleiros e, depois, passando da cidade para o campo. Trabalhou com o arquiteto Lúcio Costa em 1931, participou do Grupo Portinari em 1935, apoiou o candidato comunista Carlos Prestes em 1946 e realizou inúmeras obras importantes, expostas no Brasil e no exterior.

« Sou comunista e engenheiro, sempre lidei com operários, o que explica a escolha dos meus temas. Sempre tive consciência do papel social da arte. Sempre fiz política. A meu ver, toda a parte serve aos interesses políticos. A liberdade de criação, porém, é fundamental ». E ainda, sobre sua pintura :  « ela nunca foi um ato gratuito, nem mesmo minha arquitetura. É, antes de tudo, uma atitude consciente e firme, uma finalidade com objetivos artísticos, políticos e sociais. Celebro com ela, especialmente, a magnitude e a grandeza do trabalho humilde do operário, este trabalhador anônimo em todos os setores da grandeza da Pátria. (MORAES, 1979).

O documento apresentado aqui é um trabalho preparatório dos vitrais da igreja de São Jorge, no Rio de Janeiro. A igreja de São Jorge é conhecida pelas celebrações do dia do Santo Guerreiro (23 de abril) em homenagem a São Jorge, com a participação de meio milhão de pessoas nas comemorações, durante uma semana, todo mês de abril. Têm palestras, shows, um teatro, queima de fogos e, depois, a missa com Dom Orani. As homenagens ocorrem em vários outros pontos do Rio de Janeiro.

São Jorge é um dos santos mais venerados no catolicismo e é imortalizado na lenda em que mata o dragão. A lenda conta que São Jorge era militar e foi torturado pelo imperador romano Diocleciano, por volta do ano 302 d.C. (depois de Cristo), para que se convertesse. Como não renegou o cristianismo, foi degolado no dia 23 de abril de 303 d.C. A quantidade de milagres atribuídos a São Jorge é imensa. Segundo a tradição, ele protege e favorece a todos os que a ele recorrem com fé e devoção, vencendo batalhas, demandas, perseguições e injustiças.

Por que esse documento é raro ?

Sigaud produziu muitos desenhos durante sua vida, mas esse documento, sobre uma das suas obras mais conhecidas, apresenta um esboço em excelente estado e comentários esclarecedores do próprio artista.

♦ R$ 750 ♦