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O famoso mineralogista francês, grande amigo de Dom Pedro II, participa da formação do Príncipe Dom Pedro Augusto.

Carta manuscrita de Auguste Daubrée para um destinatário desconhecido. Uma página, frente e verso. Em francês. 11.8 cm x  18 cm. Paris, dia 28 de julho (~ 1874). Excelente estado. R$ 1.200.

O príncipe Pedro, neto do Imperador do Brasil, que tinha se inscrito na segunda-feira passada para uma leitura, só poderá participar a próxima segunda-feira. Já que o Príncipe vai  viajar a mesma noite e não vai poder ver o relatório, ainda que muito sucinto, sobre as notações cristalográficas, o Senhor Secretário Perpétuo seria muito gentil permitir que uma impressão [do relatório] fosse feita e entregue antecipadamente [para o Príncipe]. A. Daubrée.

Em viagem à Europa entre maio de 1871 e março de 1872, o Imperador entrou em contato com seu amigo Gabriel Auguste Daubree (1814 – 1896), famoso geólogo e mineralogista, seu colega na Academia de Ciências de Paris e diretor da Escola de Minas, também na capital francesa. Pediu-lhe um documento sobre a melhor maneira de conhecer e explorar as riquezas minerais do Brasil. Daubrée respondeu para o Imperador algumas semanas depois com uma « nota sobre os meios de conseguir um conhecimento mais profundo sobre o solo brasileiro e de desenvolver a exploração de suas riquezas minerais » e uma outra « nota referente ao ensino da mineralogia e da geologia no Rio de Janeiro ».

De volta ao país, em carta pessoal, o Imperador convidou Daubrée a visitar o Brasil destacando os benefícios de sua vinda para o Brasil : « não somente o país ganhará com o maior aproveitamento de suas minas, as ciências naturais, em geral, dela receberão forte impulso. » Porém, Daubrée, que acabava de ser nomeado diretor da Escola de Minas de Paris, indicou Claude-Henri Gorceix (1842 – 1919), que Dom Pedro II contratou para organizar no Rio de Janeiro o ensino da mineralogia e da geologia, a partir de 1874. Portanto, Daubrée colaborou fortemente com Gorceix sobre o projeto de escola e ensinou regularmente para Brasileiros até o final do século.

Um dos alunos de Daubrée foi Dom Pedro Augusto (1866 – 1934), príncipe do Brasil, filho mais velho de dona Leopoldina e neto de Dom Pedro II. Tendo herdado o gosto do avô pelos estudos, graduou-se em Engenharia Civil, escreveu trabalhos sobre mineralogia e realizou uma conferência sobre minerais na Academia de Ciências, na França.

Por que esse documento é raro ?

Quem se interessa pela História do Brasil sabe que Dom Pedro II era um intelectual, cuja curiosidade, iniciativas e relações com cientistas ou artistas foram muito importantes para o desenvolvimento científico e cultural do Brasil. Temos aqui um novo exemplo disso com essa carta onde Daubrée, um grande amigo do Imperador (que esteve até presente no funeral dele), se preocupa com a formação do neto « preferido » de Dom Pedro II. Interessante também, a referência às « notações cristalográficas », o campo de expertise de Daubrée. Enfim um documento incomum para os colecionadores especializados em família real brasileira, os amantes de ciências ou os especialistas em mineralogia.

♦ R$ 1.200 ♦