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O renomado etnólogo autoriza a pioneira revista Neuf a fotografar uma máscara que interessa o surrealista André Breton.

Carta manuscrita de Claude Levi-Strauss para Robert Delpire da revista Neuf. Uma página. Em francês. 21 cm x  26.8 cm. Paris, 20 de maio de 1950. Excelente estado. As duas imagens de máscaras são meramente ilustrativas, a primeira representa a capa do número 1 da revista Neuf e a segunda mostra muito provavelmente a máscara objeto desta carta. R$ 2.750.

(…) autorizo com prazer a fotografar a máscara que interessa Senhor Breton. Portanto, seria prudente ele [o fotógrafo] confirmar sua visita por telefone, ligando na minha casa no horário do almoço ou no Museu do Homem.

Claude Lévi-Strauss (1908 – 2009) exerceu influência decisiva sobre as ciências humanas na segunda metade do século XX. Sua obra mais conhecida, Tristes Tropiques, foi escrita a partir de duas expedições para observar os povos indígenas do Brasil, entre 1935 e 1939 e o fez conhecido mundialmente. A descoberta do Brasil e o encontro com os índios que o povoam, Caduveo, Bororos, Nambikwaras e Tupi-Kawahibs foram « as experiências mais importantes » de sua vida. Naquele momento ele não se sentiu à vontade, por ter a impressão de perturbar os índios e começou realmente a analisar suas descobertas anos depois, nos Estados Unidos, onde se refugiou durante a Segunda Guerra Mundial. Sua metodologia e suas conclusões revolucionaram a etnologia moderna.

Robert Delpire (1926 – 2017) era um estudante no quinto ano de medicina quando criou uma nova revista artística para a profissão médica, intitulada Neuf, que teve 9 publicações, entre 1950 a 195. A revista Neuf foi inicialmente reservada para a profissão médica, muitos escritores da época começaram praticando como médicos (incluindo Céline, Segalen), enquanto outros (incluindo Cendrars, Breton e Aragon) começaram estudos médicos sem finalizar. Delpire se interessava também por surrealismo e por etnografia, convidando André Breton para ser um dos editores da revista. Breton concordou em escrever um artigo sobre algumas máscaras do Pacífico noroeste, para o primeiro número da revista. Uma máscara Haida, da sua coleção pessoal, fez a capa dessa primeira edição, outra (o objeto dessa carta, confira a terceira imagem) foi fotografada e usada como ilustração dentro da revista.

Claude Levi-Strauss e André Breton (1896 – 1966) tinham se encontrado em 1941, em um barco, fugindo da guerra para os Estados Unidos. Ambos colecionadores de arte primitiva, a amizade deles cresceu nas ruas de Nova-Iorque. De volta à França, Lévi-Strauss juntou-se facilmente ao pequeno grupo de amigos de André Breton que, muito no início da manhã, nos fins de semana, iam pechinchar no mercado de pulgas em Saint-Ouen. Levi-Strauss dizia : « Em contato com os surrealistas, meus gostos estéticos foram enriquecidos e refinados. Muitas coisas que eu teria rejeitado me apareceram sob outra luz”.

Por que esse documento é raro ?

Uma carta escrita por alguém famoso e mencionando outra personalidade de renome é muitas vezes valiosa. Essa carta de Levi-Strauss falando de André Breton, a respeitos de máscaras que ambos colecionavam, é um bom exemplo dessas associações particularmente interessantes.

Nesse caso, um interesse adicional (a cereja do bolo !) é essa fotografia para o primeiro número da revista pioneira NEUF, de junho de 1950. Além disso, o etnólogo trabalhava em Paris e podemos apreciar o cabeçalho da carta do Laboratório de Etnologia de Homens Atuais e dos Homens Fósseis, do Museu do Homem.

Inteiramente manuscrita e em excelente estado, essa carta chamará a atenção dos colecionadores que conhecem o trabalho excepcional de Claude Levi-Strauss sobre o Brasil e a etnologia.

♦ R$ 2.750 ♦