Em 1924, o compositor do famoso Bolero, conta seu dia-a-dia e suas dificuldades criativas.

Carta escrita por Maurice Ravel para Lucian Garban e Durand & Co, em Paris. Uma página. Em francês. Montfort L´Amaury, França, no dia 27 de fevereiro de 1924.  Estado médio. R$ 4.500.

(…) Eu virei para Paris (algumas horas) sábado, domingo ou segunda-feira. Como eu provavelmente não terei tempo para vê-lo, eu vou deixar as estampas no hotel… a menos que eu me esqueça de tomá-las, como a melodia aquele dia.

(…) Novo problema com a sonata. Acho que encontrei onde entalou. Eu sempre dei espaço : vamos ver.

Maurice Ravel (1875 – 1937), famoso compositor e pianista francês, começou a interessar-se por música e piano aos 7 anos. Influenciado por Debussy, Strauss, Liszt e Mozart, conseguiu criar seu próprio estilo marcado pelo Impressionismo da época. Tornou-se mundialmente renomado por seu Bolero que é, ainda nos dias de hoje, a obra musical francesa mais tocada ao redor do mundo.

Lucien Garban (1877 – 1959), também músico e compositor, era um amigo próximo e assistente de confiança de Ravel. Ajudava o compositor a resolver dificuldades com partituras ou contratos, mas trabalhava oficialmente para Durand & Co, um editor de música e parceiro regular de Maurice Ravel.

Foi na casa de Montford L´Amaury, adquirida em 1921 para fugir de Paris, que Ravel escreveu seu famoso Bolero. Apaixonado pela vista desta pequena cidade, do campo e da floresta, considerava a casa um ambiente mais apropriado para compor do que o apartamento de Paris, onde vivia até então. Trabalhava incansavelmente, com um perfeccionismo lendário, mas solteiro, costumava sair regularmente para turnês, férias na praia ou frequentes viagens a Paris.

Por que esse documento é raro ?

Esta carta, com o cabeçalho « MR » de Maurice Ravel, retrata o dia-a-dia do genial compositor francês, dividido entre os amigos e o trabalho intenso – e às vezes penoso – de composição.

♦ R$ 4.500 ♦