Quer entrar na História ? 

Uma seleção única de documentos excepcionais a partir de R$ 300.
Garantia de autenticidade e satisfação, reembolso sem condição. 

paleografia

A arte de decifrar manuscritos : a paleografia

Entrevistas com uma estudante em paleografia e uma especialista do ramo.

As explicações de uma estudante em paleografia

O que é a paleografia ?

A paleografia é a ciência da decifração dos manuscritos e tem por objetivo capacitar a leitura e transcrição de documentos e livros. Segundo Ana Regina Berwanger e João Eurípedes Franklin Leal, a paleografia “pode ser considerada arte ou ciência. É ciência na parte teórica. É arte na aplicação prática. Porém, acima de tudo, é uma técnica”. Técnica que exige talento e prática.

Porque precisamos de paleógrafos ?

A leitura de documentos manuscritos torna-se um desafio no mundo contemporâneo, em que estamos acostumados a lidar com a circulação dos impressos e com o texto eletrônico.

Nos últimos anos, a paleografia assumiu uma importância imensa, não só dentro da universidade, mas na sociedade em geral. Ainda que a paleografia seja uma disciplina rigorosamente científica dentro das grades curriculares de alguns cursos, seu campo de ação tradicional se ampliou.

Como trabalha o paleógrafo ?

É necessário que o paleógrafo (pessoa que se dedica a paleografia ou tem habilidade em leitura paleográfica) utilize critérios para fazer a leitura de manuscritos, a fim de produzir transcrições mais fidedignas possíveis. A paleografia decifra os sinais gráficos do texto (letras, números, abreviaturas, etc) ou seja, os caracteres extrínsecos do texto. No entanto, a paleografia constitui-se como ciência bastante relevante para a crítica textual, uma vez que auxilia na fixação da forma genuína de um texto para o que precisa-se decodificar a escrita em que seus testemunhos são lavrados (Cambraia, 2005, p. 23-24).

Para ler corretamente e transcrever o documento Ipsis litteris, como é o indicado, é preciso entender a lógica de produção desses manuscritos e sua sociedade. Ler, interpretar, contextualizar e refletir, é o que se espera do paleógrafo. O objetivo de se transcrever nas normas é padronizar as transcrições paleográficas, para uniformizar as mesmas e facilitar as pesquisas.

Quais são os livros para aprender sobre paleografia ?
  • CAMBRAIA, C. N. (2005) Introdução à crítica textual. São Paulo : Martins Fontes.
  • FLEXOR, M. H. O. (1991) Abreviaturas : manuscritos dos séculos XVI ao XIX. 2. ed. São Paulo :
    Editora UNESP/Edições do Arquivo do Estado de São Paulo.
  • LEAL, J. E. F. (2011) Glossário de paleografia e Diplomática. Rio de Janeiro : Luminária : Multifoco.
  • BERWANGER, A. R.; LEAL, J. E. F. (2008) Noções de Paleografia e Diplomática. 3 ed. Santa Maria, Editora da Universidade Federal de Santa Maria.

E a visão de uma especialista em paleografia

Ana Caroline, você poderia se apresentar ?
Meu nome é Ana Caroline Carvalho Miranda, sou graduada em História pela Universidade Federal de Ouro Preto, atualmente faço mestrado acadêmico pelo Programa de Pós-graduação em História da mesma instituição, com ênfase em História de Minas Gerais no período colonial. Tenho experiência em Paleografia do século XVIII, XIX e XX.
Como você chegou a ser paleografa ?
Tive contato com a paleografia pela primeira vez em 2012 através de uma pesquisa acadêmica de iniciação científica na universidade. Trabalhei com manuscritos do século XVIII do arquivo da Casa Setecentista de Mariana – MG, num projeto sobre a presença dos africanos em Mariana. Logo em seguida, continuei a pesquisar sobre documentos da mesma natureza, mas para a localidade de Pitangui que foi outra vila da Capitania de Minas Gerais no século XVIII. Em 2015 entrei no mestrado, minha pesquisa é sobre o mesmo tema do projeto sobre Pitangui e  ampliei o recorte temporal até o início do século XIX, utilizando mais tipologias de fonte além das notariais. Como podem perceber, minha trajetória é como historiadora e arquivista. Dentro destes dois campos de estudo, por ter tido acesso a variada gama de documentos, me interessei também pela paleografia, e desde então realizo trabalhos para o público geral que precisa de transcrições de manuscritos.
O que é um paleografo ?
O paleógrafo é aquele que realiza a leitura, transcrição e compreensão de manuscritos do período antigo, medieval, moderno e contemporâneo. O paleógrafo também participa ativamente do processo de análise da construção linguagem escrita durante os anos, suas modificações e o que se conserva. A paleografia é um instrumento analítico do documento histórico, e por isso devemos estar atento à datação, à procedência, à autenticidade e aos aspectos de construção da fonte. Pode ser também utilizada por outras ciências.
O que você mais gosta nessa profissão ?
Me identifico e gosto do trabalho de paleógrafa principalmente por amar História. É muito instigante desvendar o que possivelmente aconteceu em determinado tempo no passado. É um ofício esclarecedor e um dos mecanismos mais importantes atuais para investigar e resgatar as ações dos homens no tempo.
Quais são as principais qualidades de um paleografo ?
Um bom paleógrafo tende a instruir-se sobre o ofício que realiza por meio das principais obras que tratam a paleografia e a diplomática. Da mesma forma, estuda a forma de escrita do período escolhido, a natureza da fonte a ser analisada e e identifica os documentos falsos e verdadeiros. O paleógrafo precisa fazer a ponte do leitor ao texto antigo de forma clara.
Como nossos leitores podem entrar em contato contigo ?
Realizo trabalho de transcrição de documentos oficiais e pessoais/particulares de diversas tipologias, sob pedido por meio do meu contato : anacarolinec625@gmail.com
a paleografia
Escrito por

Mathias Meyer tem 41 anos, é colecionador e fundador da coleção Glórias, especialista em avaliação, compra e venda de documentos raros.