Carta manuscrita do autor de textos fundamentais sobre o Surrealismo, Guillaume Apollinaire, marcando um encontro no Cafe de Flore, em Paris.

Carta escrita e assinada por Guillaume Apollinaire para Carol Bérard. Uma página. Em francês. 10,5 cm x 13 cm. 15 de novembro de 1917, Paris.  Excelente estado.

Jeudi. Je donne à Paris midi un écho touchant votre société musicale. Venez donc me voir un mardi entre 5 h 1/4 et 7h au Café de Flore, à Boulevard St Germain. J´ai quelque chose à vous proposer. Cordialement. Guillaume Apollinaire.

Guillaume Apollinaire (1880 — 1918) foi um poeta francês e um dos mais importantes intelectuais franceses do início do século XX. Ficou conhecido por ter escrito textos fundamentais sobre o Cubismo e Surrealismo, palavra que ele inventou.

Amigo de Pablo Picasso, Blaise Cendrars e Jean Cocteau, entre outros, começou a publicar contos e poemas a partir de 1902. Mais tarde, ele revela ao público os textos libertinos do Marquês de Sade, chocando a sociedade tradicional francesa. Em 1918, depois da Primeira Guerra Mundial, da qual ele participou, ele lança os famosos « Calligrammes », poemas sobre a paz e a guerra, obra excepcional por sua originalidade. Anedota histórica, Apollinaire foi acusado, com Picasso, de cumplicidade no roubo da Mona Lisa de Leonardo da Vinci, no Louvre.

Aqui Guillaume Apollinaire escreve para Carol Bérard, um compositor francês, renomado por seus estudos sobre a música, para combinar um encontro no Cafe de Flore. Esse bistrô típico de Paris era na época – e até hoje – um dos pontos mais freqüentados por artistas e intelectuais. André Breton ou Louis Aragon, que inventaram o Surrealismo, Picasso, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir se encontravam diariamente no Cafe de Flore para trocar idéias, trabalhar ou simplesmente tomar um vinho.

Por que esse documento é raro ?

Essa pequena carta, escrita apenas alguns meses depois da criação da palavra surrealismo, uni Guillaume Apollinaire e o Cafe de Flore, dois nomes famosos da cultura francesa. Um interesse adicional, o envelope que está também em excelente estado de conservação.