O autor do  « Germinal », curioso insaciável, quer descobrir a misteriosa invenção de um conhecido.

Carta escrita e assinada por Emile Zola. Uma página. Em francês. 13 cm x 20 cm. Paris, o dia 15 de março de 1896. Bom estado.

Paris, 15 mars 96.

Monsieur,

Je vous remercie infiniment de vos renseignements, et je me permettrai, un jour, d´user de votre offre obligeante, en allant voir fonctionner votre appareil. J´aurai soin de vous prévenir deux jours à l´avance.

Veuillez agréer, monsieur, l´assurance de mes sentiments distingués.

Emile Zola.

Aqui, Emile Zola agradece o destinatário por algumas informações e expressa a vontade de aceitar o convite para ver « funcionar o aparelho ».

Émile Zola (1840 – 1902) foi um dos mais importantes escritores da literatura francesa. Filho de um engenheiro italiano, cresceu em Aix-en-Provence onde ficou amigo do famoso pintor Paul Cezane e, mais tarde, do pintor Edouard Manet. Porém, convencido do seu talento de escritor, decidiu se dedicar a literatura e começou, como jornalista, escrevendo colunas para os jornais, nos quais se mostrou engajado politicamente.

O seu texto mais famoso é a carta aberta intitulada « J’accuse (Eu Acuso) ». Publicada na primeira página do jornal parisiense L’Aurore, em 1898. Nela, Emile Zola acusou o governo francês de anti-semitismo contra o capitão Alfred Dreyfus, oficial judeu do exército francês, condenado por traição.

Influenciado pela « Comédia Humana » de Honoré de Balzac, outra grande referência da literatura francesa, Emile Zola escreveu a série « Os Rougon-Macquart« , composta por 20 romances, o mais conhecido sendo « Germinal » (1885) que descreve, com detalhes muito precisos, as terríveis condições de vida dos trabalhadores de uma mina de carvão na França.

Por que esse documento é raro ?

Nesta carta, cujo destinatário não é identificado, Emile Zola demonstra seu interesse para conhecer uma invenção, aspecto muito importante da personalidade do escritor. Filho de engenheiro e inventor do naturalismo, Zola sempre demonstrou interesse em técnicas novas, pesquisas científicas e invenções, gosto que aparece nitidamente em suas obras.