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Em 1952, o explorador e herói dos índios do Brasil lamenta seus problemas de memoria.

Carta escrita e assinada por Marechal Rondon para Miguel Salasar Mendes de Moraes, conhecido também como Miguel Salazar Mendes de Morais. Em português. Uma página. 22 cm x 33 cm. Sem informação sobre a localização, 7/X/1952. Na frente, algumas manchas de ferrugem de clips, porém excelente estado. No verso são colados alguns artigos de imprensa – sem grande interesse – relativos ao Marechal Rondon.

Lamento que as minhas natuaris (naturais) deficiencias de memoria não tenham permitido relembrar muitos episódios da vida intensa que caracterizou a atividade do sempre lembrado companheiro (Thaumaturgo de Azevedo).

O Marechal Rondon (1865 – 1958) foi o primeiro a organizar expedições no oeste do país e a fazer contato amistoso e permanente com as populações indígenas, das quais se tornou defensor. Criou, em 1910, o Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Nessas viagens rudimentares, além de descobrir rios e registrar territórios, implantou o telégrafo em regiões totalmente isoladas do Centro-Oeste e Norte, este “Brasil do interior”, totalmente esquecido e desconhecido.

Em reconhecimento ao seu trabalho pacificador, um estado, Rondônia, e um meridiano terrestre, o número 52, receberam seu nome. Rondon foi também indicado duas vezes ao Prêmio Nobel da Paz, sendo uma das indicações feita pelo físico Prof. Albert Einstein. Sobre Marechal Rondon, assim falou o ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt :

A América pode apresentar ao mundo duas realizações ciclópicas : ao norte, o canal de Panamá ; ao sul, o trabalho de Rondon, científico, prático, humanitário.

Nesta carta, ele responde para Miguel Salazar Mendes de Morais, um militar que pede lembranças sobre Gregorio Thaumaturgo de Azevedo, avô de sua esposa e primeiro chefe carismático e polemico da comissão mista Brasil-Bolívia, encarregada de demarcar a fronteira entre esses países. Infelizmente o Marechal Rondon, já idoso, lamenta seus problemas de memória e parece não poder ajudar muito seu interlocutor.

Por que esse documento é raro ?

Esta carta é interessante pelo cabeçalho « Ministério da Agricultura, Conselho Nacional de Proteção aos Índios », pela grande e bela assinatura do Marechal Rondon e pelas informações que ela contém. Escrita um ano antes de receber o título de Marechal, Rondon já era amplamente reconhecido nacionalmente e internacionalmente por suas ações.

♦ R$ 900 ♦