Autógrafos de duas lendas do esporte mundial, fundamentais na luta contra o racismo, durante as Olimpíadas de Roma, em 1960.

Cartão postal do estádio olímpico de Roma, na Itália, com autógrafos de Cassius Clay, Jesse Owens e outros atletas internacionais que participaram das Olimpíadas em 1960. Pertencia a um jornalista francês falecido em 2011. 13.3 cm x 8.5 cm. Estado médio, borda direita um pouco estragada.

« Muhammad Ali e Jesse Owens se conheciam. Não eram amigos íntimos mas eles se respeitavam muito por seus sucessos. Jesse Owens era mais amigo de Joe Louis, porque tinham a mesma idade. » conta Marlene Owens Rankin, filha de Jesse Owens, com quem conversamos a respeito desse documento muito raro, já que os dois atletas lendários tiveram poucas oportunidades de se encontrar.

Em 1960, Cassius Clay (1942 – 2016) conquistava a medalha de ouro de luta nas Olimpíadas e, com seu talento e e seu carisma, tornava-se uma celebridade mundial, com apenas 18 anos, iniciando uma incrível carreira de campeão. No mesmo ano, Jesse Owens (1913 – 1980), que tinha 47 anos, estava aposentado do atletismo, representava publicamente grandes empresas americanas e desenvolvia um programa social para crianças e adolescentes. Ambos se apreciavam, especialmente por terem muito em comum : ambas eram atletas famosos, negros e vítimas do racismo em seu próprio país.

Ao longo de sua vida, em sua biografia ou em entrevistas, Jesse Owens relatou sua volta humilhante aos Estados Unidos, em 1936, apesar das quatro medalhas de ouro conquistadas diante de Hitler, nas Olimpíadas de Berlim :

Joe Louis e eu fomos os primeiros atletas negros que tiveram a permissão para representar a América”, disse Owens, “mas nenhum de nós obteve permissão para fechar contratos publicitários, pois o sul dos EUA não teria comprado tais produtos anunciados. Este era o estigma social ao qual estávamos submetidos.

Quando eu retornei dos Jogos Olímpicos à minha pátria americana, depois de todas as histórias sobre Hitler, como ele teria me desprezado, eu ainda tinha que sentar na parte de trás. Eu não podia morar onde queria… Eu não fui de fato convidado a apertar a mão de Hitler, mas eu também não fui convidado à Casa Branca para apertar a mão do presidente americano.

Em 1960, foi a vez do jovem Cassius Clay voltar para os Estados Unidos depois da Olimpíada e, apesar de sua recente fama devido a uma medalha de ouro, enfrentar o racismo, exatamente como Jesse Owens vinte cinco anos antes. Nessa época que ele decidiu tornar-se muçulmano, mudar seu nome para Muhammad Ali, conhecer o pastor Martin Luther King e começar a participar ativamente da luta pelos direitos dos negros.

Por que esse documento é raro ?

Não temos registro de outros documentos assinados por Cassius Clay e Jesse Owens neste momento tão especial da carreira do futuro Mohamed Ali. Trata-se então, muito provavelmente, de uma peça histórica única.