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dedicatória

A dedicatória, um documento autógrafo muito interessante

A dedicatória constitui-se de algumas palavras ou algumas linhas redigidas por um autor, na primeira página ou no final de um livro. O escritor mostra, assim, seus sentimentos de gratidão para alguém que comprou seu livro ou valoriza uma amizade, um parente, um amor ou mesmo um colaborador que – geralmente – contribuiu de alguma forma para a realização da obra. Ela pode ser impressa junto com o livro ou personalizada depois, manuscrita. Mesmo se a forma mais comum dela se refere a livros, podemos considerar que fotografias, CDs ou até obras de arte podem ganhar umas palavras escritas por um artista. Na realidade, ela é um presente, uma forma de reconhecimento.

A produção da dedicatória manuscrita

Escritores, seus editores e livrarias organizam eventos onde o autor realiza dedicatórias para seus leitores, normalmente no lançamento de um novo título. É uma prática comum escritores dedicarem seus romances, livros de fotografias ou mesmo desenhos e histórias em quadrinhos. Esta tradição tem um objetivo comercial e parece benéfico para todos : a livraria atrai mais visitantes, o autor vende muitos livros de uma vez e o próprio leitor volta para casa com o livro personalizado, pelo mesmo preço. É também uma oportunidade rara para o autor e seus leitores de estabelecerem um contato, trocarem ideias, fazerem e receberem elogios ou criticas, perguntarem ou comentarem sobre a temática abordada no livro. Alguns escritores são nacionalmente ou internacionalmente famosos e estes eventos acolhem centenas de pessoas em um clima de histeria ! Fora destes eventos, é possível também escrever diretamente para o autor e pedir uma dedicatória, alguns autores respondem pessoalmente, outros através de um assistente.

Prazer ou castigo para os escritores ?

A dedicatória é a estrela das feiras de livro, no mundo inteiro. Nesses eventos, milhares de autores cumprem o ritual, durante todo o fim de semana, rompendo com a vida diária de um escritor – acostumado a enfrentar, sozinho, sua folha de papel ou uma tela de computador – para ir ao encontro de seus leitores.

« Estes encontros com nossos leitores criam um vínculo, porque a escrita é um exercício de grande solidão« , diz um escritor. Para o leitor, estas palavras que ele consegue depois de alguns minutos (ou horas) de espera, representa uma ligação furtiva do leitor com o escritor, com quem ele se identifica devido às suas ideias. Mas este encontro não é sempre tão romântico : muitos leitores esperam pacientemente para trazer para seus parentes um livro assinado pelo escritor favorito e se limitam a verificar que o escritor escreveu o que eles realmente queriam, do tipo « Para Marie Claire, que leu todos meus livros, muito obrigado”.

Alguns escritores, acostumados a essas sessões de dedicatórias em cadeia, preferem usar pequenas frases padronizadas, mas confessam que gostam mais de ter mais ter tempo com os leitores, para trocar ideias, conhecer melhor seu público e, ao final, entregar uma dedicatória personalizada. Não é fácil ser original, sem saber nada do leitor. Existem escritores mais originais, mais observadores, que gostam de improvisar conforme as circunstâncias. Alguns, que gostam mesmo do exercício e deste contato com o público, fazem questão de realmente personalizar cada assinatura : por exemplo, um autor francês e famoso de livros infantis acrescenta sistematicamente um desenho, porque « dá um valor emocional adicional e fideliza o leitor ».

O que mais interessa o colecionador de documentos autógrafos ?

No mercado dos autógrafos, a qualidade do conteúdo é determinante para definir o valor de uma peça : a dedicatória não escapa a esta regra. Por este motivo e, por serem curtas, as mais cobiçadas não são aquelas destinadas a anônimos, mas sim aquelas imaginadas espontaneamente pelo autor para seu circulo de parentes ou amigos, colegas escritores, artistas ou cientistas, políticos, lideres da igreja ou mesmo Deus. Idealmente, o autor e o homenageado são, ambos, pessoas famosas. É o que os colecionadores chamam de « associação »: um escritor para outro escritor, um politico para um adversário, um pintor para um fotografo, etc.

Se ela tem um pensamento ou uma citação literária, a dedicatória adquire outra dimensão. E um pequeno desenho do autor pode transformar algumas linhas manuscritas em uma peça rara. Mas a maioria é misteriosa, difícil de entender ou interpretar sem ter intimidade com a vida pessoal do escritor e do destinatário. Quem pode entender facilmente o enigmático « Madame Z. » de Jean-Paul Sartre em seu romance « Les Mots »? Enfim, outros fatores influem no valor destas linhas manuscritas : quando o livro é importante, em excelente condição, uma primeira edição, ela torna-se um documento autógrafo muito procurado.

E as fotografias ?

Algumas pessoas ilustres costumam mandar uma fotografia com uma dedicatória para seus admiradores. A partir dos anos 1860, com a propagação da fotografia, as pessoas começaram a trocar fotografias em formato de cartão de visita. Foi nesta época que surgiu a ideia de pedir assinaturas em fotos, combinando imagem e manuscrito e fazendo nascer uma nova categoria para o autógrafo. Neste caso, para poder apreciar a fotografia e a assinatura com apenas um olhar, os autógrafos feitos na frente da fotografia (e não no verso dela), são geralmente as mais procuradas.

A dedicatória no futuro

Ao contrário do que muitos imaginaram com a popularização de novas tecnologias, ainda se vendem muitos livros de papel, garantindo muitas belas dedicatórias para o futuro. Paralelamente, as obras digitais, que podem ser baixadas pela internet e lidas em um computador, tablet ou mesmo smartfones estão seduzindo um público cada vez maior, mas parecem completar o mercado dos livros de papel, ao invés de competir. Portanto, para esta categoria de livros virtuais, como escritores, leitores e colecionadores vão poder perpetuar a tradição da dedicatória ? Existem iniciativas como http://dedeecation.com, que pretendem oferecer para os autores a possibilidade de realizarem dedicatórias digitais… mas teria o mesmo charme e interesse para o colecionador ?

os documentos autógrafos
Escrito por

Mathias Meyer tem 41 anos, é colecionador e fundador da coleção Glórias, especialista em avaliação, compra e venda de documentos raros.